Sobre vôos, turbulências, medos e péssimos companheiros de viagem.
Dizem que bocejo é contagioso. Bom, durante meu vôo de retorno ao Brasil eu descobri que desespero é contagiante também. Explico. Meu itinerário de volta ao Brasil incluía escala em Atlanta – GA. Então fiz um vôo de aproximadamente 2 horas de Newark – NJ até o Aeroporto Internacional de Atlanta. Como já pôde ser observado em posts anteriores eu não sou uma pessoa muito medrosa (Tá! não mais...). Ou pelo menos eu tentei passar essa imagem (vai que cola...). Mas eu tenho que admitir que não me sinto muito confortável com pousos e decolagens. E no dia do vôo de conexão foi igual a sempre. Depois de um pouco de frio na barriga durante a decolagem eu relaxei e até me distraí tentando me conectar à rede Wi-fi do avião (que como sempre era paga: “deixa quieto, tenho internet de graça em casa...”).
O momento tenso mesmo só veio ao fim do vôo. O piloto avisou que estávamos nos preparando pra pousar (“diga por você! Porque eu vou demorar um pouco mais para estar pronta!”). De repente começa a chacoalhação. Eu como sempre tentei manter a compostura com aquela cara de quem faz isso toda semana. Mas a verdade é que eu sempre fico achando que os comissários fazem um complô com o piloto de que mesmo que o avião esteja prestes a cair eles não vão dizer nada para, pelo menos, morrerem sem gritaria no ouvido (o que sempre me deixa com a pulga atrás da orelha: “será que tá tudo bem ou eles estão fingindo?”).
É nesse momento que eu olho para o meu lado e vejo meu companheiro desconhecido de viagem agitado olhando pela janela. Eu, com a mesma cara de extrema normalidade, finjo um tom de brincadeira na pergunta “que foi? O piloto tá perdido?”. E para o meu desespero ele me responde “não sei. Mas tem algo muito errado”.
“Nãooooooooooo!” O avião tremendo que nem britadeira e um homem de aparentemente 45 anos tendo um piripaque do meu lado! Muito reconfortante! Foram uns cinco minutos até tocar o chão, mas pareceram uma eternidade! Ao tocar o solo eu disse com o mesmo tom de tranqüilidade “É, conseguimos”. E ele complementou “não ainda. Ainda não paramos”.
“Ah sim! agora só falta o piloto não conseguir parar e a gente morrer já em terra!”, pensei. Mas apesar das turbulências, cheguei em Atlanta com vida. Mas no vôo para o Brasil já adiantei ao rapaz ao meu lado que eu não me sentia confortável durante a decolagem e o pouso. Agora ele é que me perguntou com tom de brincadeira: “então eu não posso gritar?”. “Pela minha sanidade mental durante todo o vôo, não faça!”, respondi.
