segunda-feira, 31 de maio de 2010

Novas formas de burlar o código de defesa do consumidor


Sobre coisas que eu odeio, filas e código de defesa do consumidor

Existem três coisas neste mundo que odeio profundamente: trânsito, multas e filas. Trânsito eu nem preciso explicar porque, né? Odeio multas porque você paga por algo que não leva pra casa. Multas de locadora ou biblioteca, por exemplo. Você paga uma quantia por atraso de entrega, mas não leva nem o filme, nem o livro pra casa. Multa de trânsito então... nem se fala! Juntou na mesma frase duas coisas que eu não suporto! Mas fila, fila definitivamente mata aos poucos.
Hoje deveria ser proclamado dia internacional da fila. Peguei uma fila de 1h40m, depois uma pra entrar no ônibus e outra no banco pra pagar uma taxa de R$8(!).
De uns tempos pra cá têm circulado e-mails sobre o direito do consumidor de ser atendido em menos de trinta minutos. Logo comecei a reparar que ao pegar a senha no banco, por exemplo, no papel constava o número da senha e o horário em que ela tinha sido gerada. Milagrosamente passei a ser atendida sempre em menos de trinta minutos. Inacreditável.
Qual não foi a minha surpresa hoje ao notar que as duas filas acima citadas (a de 1h40m e a do banco) nada mais eram do que filas para pegar a senha! (!!)
Exatamente. No banco, por exemplo, eu peguei uma fila - totalmente empacada - só para receber a senha. O atendente que supostamente está ali para te auxiliar a retirar a senha (sim! eu sei apertar um botão)segura a fila um tempinho enquanto a fila do caixa diminuía.
Realmente fui atendida em alguns minutos depois que recebi a senha. Mas em compensação fiquei um bom tempo na fila de recebimento de senha (em ambos os casos).
Efim! Mesmo estando exausta de tantas horas em filas dos mais variados tipos, ainda tenho forças para não deixar de me impressionar com a criatividade das pessoas!

sábado, 29 de maio de 2010

Vacina contra H1N1


Sobre vacina, boatos e lendas urbanas

Um dia desses ouvi alguém dizer que a vacina contra H1N1 foi produzida com o vírus morto da Aids (!) e que se você (que tomou a vacina) fizer um teste hoje, vai ser constatado que você está com Aids (!!). Pois é! Ouvi tantos boatos sobre essa vacina, mas esse ganhou o Oscar!
Tomei a vacina no último dia estipulado para minha faixa etária porque minha mãe comentou que eu poderia precisar apresentar um comprovante de vacinação em caso de viagem internacional. Nunca se sabe... E se eu ganhar uma dessas promoções da Nestlé, ou de qualquer outra empresa, para ir assistir aos jogos da Copa na África do Sul! (Tem alguma promoção assim da Nestlé? Enfim...)
Ainda não ganhei nenhuma promoção, mas ganhei muita dor no braço, febre e enjôo no dia seguinte à vacina.
Nunca cansei de me impressionar com o poder dos boatos e como eles conseguem mexer com a opinião pública. O pior é quando esses boatos começam a se tornar lendas urbanas. Eu diria que os boatos se tornam lendas urbanas a partir do momento em que se tornam “fato” para uma grande parcela da população, ou simplesmente são tão citados no dia-a-dia, que mesmo não sendo reais, se tornam tema de discussão pra todo lado.
Como a história das crianças que estavam sendo encontradas aqui ou ali em banheiras de gelo sem seus órgãos. Lembro-me dessa lenda quando era pequena. Claro que no começo eu não a via como uma lenda. Meus colegas de escola contavam que isso tinha acontecido num bairro carioca próximo ao que eu morava. Acreditei. A princípio. Mas depois de “saber” que isso também tinha acontecido com crianças de São Paulo e da Europa (por que a Europa é citada como se fosse uma pequena cidade ou no máximo um estado?) comecei a suspeitar que talvez não fosse um bandido de verdade. Talvez fosse uma quadrilha internacional!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"O que significa essa obra?"


Sobre novas leituras, artes visuais e significado das obras de arte contemporânea

De uns tempos pra cá tenho me interessado por alguns livros sobre psicanálise. Não por algum interesse específico (pelo menos não por interesse consciente...), mas por tê-los ao alcance das mãos. Mas frequentemente me deparo com termos bastante específicos que entravam minha leitura. Você pode pensar que um dicionário de psicologia poderia resolver esse problema facilmente, mas, particularmente, penso que é a solução ideal não é bem essa...
Quando eu era adolescente (não que eu seja muito mais velha hoje em dia) assisti três simpósios sobre criacionismo - interessantíssimos - mas se me lembro bem, só comecei a entender um pouco melhor do que estava sendo falado lá pelo terceiro...
Talvez seja por isso que muitas pessoas desistem tão facilmente de aprender algo novo, ou de se meter em novas áreas de conhecimento. Se não entendemos de imediato, logo desistimos.
Refletindo sobre essas experiências comecei a pensar no público de artes visuais. Muitos comentam que não conseguem entender arte, ou que as obras de arte não são feitas para serem compreendidas. Eis aí um comentário que sempre me traz curiosidade. Frente ao meu problema em relação aos livros psicanalíticos tenho, a meu ver, duas escolhas: resignar-me à minha falta de conhecimento nessa área, ou buscar conhecer melhor o assunto (e isso pode ser feito de diversas maneiras).
Não estou dizendo que não se possa criticar que uma dita obra não tem sentido, ou que não tenha, realmente, uma razão que está tão encoberta que só o próprio artista e seus amigos a saibam - o sentido que "só os inteligentes podem ver". Refiro-me aqui que acredito, sim, em uma formação (mesmo - e com todo o crédito - que informal) gradual em arte. Ver uma obra de arte, ou mesmo uma exposição não seria o que eu chamaria de iniciação em arte. Indico ver dez. Tente isso. Veja dez exposições com qualidade de tempo e olhar observador e veja se algo muda...


Livros que andei lendo: "Cartas a uma jovem terapeuta" - Contardo Calligaris e "Por que a Psicanálise" - Elisabeth Roudinesco

Foto: Obra "Lágrimas de São Pedro" - Vinícius S.A.