
Sobre novas leituras, artes visuais e significado das obras de arte contemporânea
De uns tempos pra cá tenho me interessado por alguns livros sobre psicanálise. Não por algum interesse específico (pelo menos não por interesse consciente...), mas por tê-los ao alcance das mãos. Mas frequentemente me deparo com termos bastante específicos que entravam minha leitura. Você pode pensar que um dicionário de psicologia poderia resolver esse problema facilmente, mas, particularmente, penso que é a solução ideal não é bem essa...
Quando eu era adolescente (não que eu seja muito mais velha hoje em dia) assisti três simpósios sobre criacionismo - interessantíssimos - mas se me lembro bem, só comecei a entender um pouco melhor do que estava sendo falado lá pelo terceiro...
Talvez seja por isso que muitas pessoas desistem tão facilmente de aprender algo novo, ou de se meter em novas áreas de conhecimento. Se não entendemos de imediato, logo desistimos.
Refletindo sobre essas experiências comecei a pensar no público de artes visuais. Muitos comentam que não conseguem entender arte, ou que as obras de arte não são feitas para serem compreendidas. Eis aí um comentário que sempre me traz curiosidade. Frente ao meu problema em relação aos livros psicanalíticos tenho, a meu ver, duas escolhas: resignar-me à minha falta de conhecimento nessa área, ou buscar conhecer melhor o assunto (e isso pode ser feito de diversas maneiras).
Não estou dizendo que não se possa criticar que uma dita obra não tem sentido, ou que não tenha, realmente, uma razão que está tão encoberta que só o próprio artista e seus amigos a saibam - o sentido que "só os inteligentes podem ver". Refiro-me aqui que acredito, sim, em uma formação (mesmo - e com todo o crédito - que informal) gradual em arte. Ver uma obra de arte, ou mesmo uma exposição não seria o que eu chamaria de iniciação em arte. Indico ver dez. Tente isso. Veja dez exposições com qualidade de tempo e olhar observador e veja se algo muda...
Livros que andei lendo: "Cartas a uma jovem terapeuta" - Contardo Calligaris e "Por que a Psicanálise" - Elisabeth Roudinesco
Foto: Obra "Lágrimas de São Pedro" - Vinícius S.A.
2 comentários:
Realmente acontecem as obras "que só o artista e seus amigos entendem", mas em relação à arte, o mais bacana é que a gente pode simplesmente se enfiar nas exposições e ir curtindo.estudar arte é muito disso. depois de dez exposições, você entende bem mais :) muito bacana seu blog Liz. Aqui é a Nina. Você não deve lembrar de mim. eu fiz FLV com você quando estávamos no primeiro semestre: eu de cênicas e você de plásticas.
Abraços!
Claro que lembro Nina! Que bom que vc gostou! Espero que tenha dado pra entender q esse post é mais uma defesa e um incentivo do que uma crítica à arte contemporânea ou conceitual. Continue acompanhando aí as cenas dos próximos capítulos...
bjuz
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